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Por Anna Luiza Cardoso

          Muita gente acha que na Europa tudo é melhor que no Brasil. Não é. Mas se tem algo, além do sistema de transportes, que precisamos aprender já com o velho continente é o hábito da leitura. Aqui, todo mundo lê, e lê muito, lê de tudo, o tempo todo, em qualquer lugar. Os números de vendas no Brasil são risíveis se comparados aos de países como França e Alemanha, por exemplo, tão menores em extensão e população. Se vendemos dez mil exemplares já vibramos com o bom desempenho do livro. Os alemães ficam envergonhados. E essa diferença é vista nas ruas, nos ônibus e metrôs em que quase todo mundo leva um livro a tiracolo. Felizmente, a meu ver, puxa saco que sou do livro de papel, a proporção de ebooks nesse quantum de leitores é ainda pequena. Nada contra, pessoalmente, o livro digital cumpre um papel importante e admito já ceder a ele em tantas ocasiões; mas não há nada no mundo como o cheiro de um livro, a textura de suas páginas, a diagramação de seu texto. Faz parte da experiência sensorial, da performance interativa em que autor, designer, editor, livreiro e leitor participam.

          Essa experiência sensorial alcança o seu auge na ida a uma livraria, cada uma um pequeno – ou não – templo literário, espaço que está para os livros como as galerias estão para as artes. Mesmo diante da invasão amazonesca, que passa por cima dos livreiros com o ímpeto e poder de destruição de um trator desenfreado, cidades como Barcelona, Londres e Paris ainda são um paraíso para os aficionados pelas livrarias: têm uma a cada esquina, para todos os gostos, com todos os focos. Tivesse eu tido antes a ideia de colocar em texto meus lugares literários prediletos por aí, a lista seria imensa, passando por tantas cidades. Mas me restrinjo aqui a alguns endereços que valem a visita em Paris, onde passei uma semana durante esta temporada de feiras, entre Bolonha e Londres:

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SHAKESPEARE & COMPANY

Figurinha fácil em qualquer lista de livrarias parisienses, a charmosa Shakespeare & Co é especializada em literatura em língua inglesa, é linda, linda e tem uma bela vista da catedral de Notre Dame.

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L’ÉCUME DES PAGES

Situada bem ao lado do famoso Café Flore, no Boulevard Saint-Germain, número 174, a L’Écume des Pages tem um belo acervo de ensaios literários e filosofia política, além, é claro, de literatura francesa. Sua arquitetura me lembra a da querida Argumento, no Leblon, toda em madeira e tons de verde escuro.

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LA HUNE 

Também em Saint Germain, na esquina das rue Bonaparte e rue l’Abbaye, a La Hune é uma livraria charmosíssima que fica aberta até tarde da noite. É especializada em literatura, principalmente francesa, ciências humanas e belas artes, e faz parte do grupo Flammarion.

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F. DE NOBELE 

No número 35 da mesma rue Bonaparte está a De Nobele, um sebo especializado em livros de arte difíceis de se encontrar.

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 GIBERT JEUNE

A Gibert Jeune é uma rede de livrarias parisiense com várias lojas espalhadas nos arredores da Place Saint Michel – são nove! A maior delas, com vários andares dedicados à literatura de todo o mundo, fica na própria praça, e tem livros tanto em francês quanto nos idiomas originais. Na dúvida sobre onde encontrar qualquer coisa, só ir até lá!

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LA BELLE HORTENSE

Situada no coração do Marais, na esquina das ruas Vieille du Temple e Sainte-Croix de la Bretonnerie, a La Belle Hortense é uma cave bar literária super charmosa. Ali você pode sentar para tomar um café ou uma taça de vinho no meio do dia, enquanto lê seu próprio livro ou dá uma fuçada nas recheadas prateleiras. Vira e mexe há eventos literários e/ou artísticos no espaço e vale a pena ficar de olho na programação.

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COMME UN ROMAN

No número 39 da rue de Bretagne, também no Marais, fica a Comme un Roman…, que além do nome bonito e interessante costuma organizar encontros literários e exposições artísticas em seu amplo espaço. O acervo de literatura é bom e a parte de livros infantis também não deixa a desejar. Em 2009, recebeu do ministério da cultura francês o selo LIR pelo seu papel na cena cultural parisiense.

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