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2015-04-02_14.05.05

O Autor como Leitor – Raphael Montes

15 Perguntas sobre livros e leituras

Conan Doyle é o culpado da minha literatura”

 

Nosso menino prodígio, Raphael Montes, 24 anos, autor de dois romances publicados por grandes editoras, Suicidas com a Saraiva e Dias perfeitos com a Companhia das Letras, tem uma biblioteca de 4 mil títulos policiais, de mistério, horror, suspense psicológico e de tribunal. Hiperativo, ele agora finaliza seu novo grande thriller,  Jantar, a sair pela Companhia no início de 2016, tendo acabado de entregar um volume de contos de fantasia e horror, visando ao público masculino jovem, à Suma das Letras, para estar na livraria em agosto, para sua participação na feira literária de Passo Fundo. Enquanto isso, continua a intensa divulgação eletrônica e presencial de sua obra e prepara malas e ideias para uma viagem no fim do mês a Lisboa, onde dará uma conferência sobre a difusão da literatura de língua portuguesa e lançará a edição de Dias perfeitos pela Objectiva de Portugal. Diga-se que a VB&M, com suas parceiras e co-agentes, já vendeu Dias Perfeitos em onze territórios e está com uma oferta pendente em Taiwan. Cérebro e coração embebidos de ficção policial, Raphael acaba de se dar uma nova cachorrinha, uma bassert linda, a quem batizou de … Agatha. Prestando todas as homenagens nesta entrevista a sua querida Agatha Christie, ele, no entanto, diz aqui que Conan Doyle é o responsável por sua decisão de viver de e para a literatura de mistério.

 

Que livro você está lendo?

Leio vários ao mesmo tempo, cerca de cinco, ou seis. Atualmente, leio Zero zero zero, do Saviano; Um plano simples, de Scott Smith; e livros de pesquisa para o que estou escrevendo: De caçador a gourmet, de Ariovaldo Franco; Diário, de Chuck Palahniuk e Meu destino é ser onça, do queridaço Alberto Mussa.

Algum livro já lhe meteu medo de não conseguir dormir à noite?

Quando eu era adolescente, acontecia com frequência. Hoje em dia, não acontece – e lamento por isso. Alguns que me amedrontaram: O caso dos dez negrinhos, da Agatha Christie, é claro, O Colecionador de Ossos, de Jeffery Deaver, e Brincadeira Mortal, de Pedro Bandeira.

Que autor despertou em você a vontade de escrever histórias de mistério?

Comecei lendo Conan Doyle e foi ali que decidi escrever histórias policiais. Então, acho que ele é o culpado pela minha literatura.

Qual é seu livro favorito de Agatha Christie? O que o fascina particularmente?

Dentre os mais famosos, fico com O caso dos dez negrinhos. Na verdade, meu romance Suicidas é uma homenagem a esse livro dela. O jogo em que os personagens vão morrendo um a um, a existência de um assassino entre eles… É uma tensão permanente que me atrai ali. Dentre os menos conhecidos, fico com Treze à mesa. Um romance policial simples, com enigma proposto ao leitor. Errei feio na solução e amei.

E de Conan Doyle?

Gosto muito de Um estudo em vermelho. Foi o primeiro romance policial que li. Tenho um carinho especial por esse livro.

E de Edgar Allan Poe? Por quê?

Em três contos protagonizados por Auguste Dupin, Poe fixou as características do gênero policial e apresentou à literatura o detetive moderno; a máquina de pensar que, através de rigorosa lógica, desvenda crimes e pune culpados. Tanto em Os crimes darua Morgue como em O mistério de Marie Roget e A carta roubada, estão presentes os três elementos básicos do romance policial: (I) o crime; (II) o investigador — leigo ou profissional —; e (III) o criminoso.

Dos autores contemporâneos de suspense psicológico, quem você considera imbatível?

Fico com Dennis Lehane. Ele faz um suspense psicológico violento, visceral. No Brasil, o posto é da Patricia Melo.

E na área do policial clássico – polícia contra ladrão -, qual o título contemporâneo que mais o pegou?

Amo os livros da francesa Fred Vargas e da norueguesa Karin Fossum. No Brasil, Tony Bellotto e Garcia-Roza são os mestres nesse estilo.

A literatura brasileira nessas áreas ainda é pequena, mas começa a engatinhar. O legal thriller, ou “suspense legal”, porém, não existe no Brasil. Entre os estrangeiros, quem é o melhor?

Sou fã de dois: Scott Turow e John Grisham. Não me peça para escolher entre eles.

Quem é o detetive mais interessante da literatura? E quem é a vítima mais patética da literatura?

O detetive é Hercule Poirot. A vítima é leitor de romances ruins.

 Além de policiais, suspense, mistério e thrillers, qual é outro título memorável em sua bibibliografia?

Se um viajante numa noite de inverno, do Italo Calvino. Acho incrível.

Vão oferecer um jantar em sua homenagem e lhe dizem para levar três escritores como convidados seus. Quem seriam eles?

Acho que um jantar com Agatha Christie, Patricia Highsmith e Alfred Hitchcock na mesa me deixaria satisfeito.

Que livro você recomendaria à presidente Dilma Roussef?

Crime e castigo.

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