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2015-02-24_20.06.41

Por Luciana Villas-Boas

Está em cartaz em Nova York a peça Absolute Brightness of Leonard Pelkey, ou “O brilho absoluto de Leonard Pelkey”, de James Lecesne. A crítica é consagradora, como se pode ver no texto de Charles Isherwood, do New York Times. http://www.nytimes.com/2015/02/23/theater/review-the-absolute-brightness-of-leonard-pelkey-james-lecesnes-one-man-play.html?_r=0  Conta a investigação do assassinato de um jovem gay de 14 anos, Leonard, um menino absolutamente brilhante.

Lecesne é autor de Trevor, que a VB&M representa para a Seven Stories Press e que, estranhamente, ainda não despertou o interesse de editores brasileiros. Trevor começou como um filme curta-metragem que ganhou um Oscar nessa categoria em 1995. Conta a tentativa de suicído de um adolescente. Esse é o tema de Lecesne: bullying e sofrimento de jovens que se sentem diferentes, deslocados, em geral por questões de gênero e orientação sexual.

A base de Trevor foi um monólogo de Lecesne, Word of Mouth, ou “Boca a boca”, em tradução livre. (Lecesne é um grande ator – excepcional; em Absolute Brightness of Leonard Pelkey, ele representa uns dez papéis, desde o investigador até várias mulheres de um subúrbio de Nova Jersey, onde se passa a peça. Isherwood o elogia tanto como autor como ator.) Em seguida ao curta premiado, Lecesne desenvolveu um programa de apoio a jovens gays e de prevenção do suicídio entre adolescentes, o Trevor Project, que tem resultados bonitos para mostrar. Só muito tempo depois, uns dois anos atrás, saiu o livro Trevor, um texto delicado, tocante; será um clássico.

Em sua crítica Isherwood pega na mosca e aponta o que me parece a maior virtude de Lecesne: ele não tem medo de sentimentalismo. Pega pesado e faz chorar. Como se sabe, isso é muito difícil de fazer sem ser apelativo. (Fui ver Selma e não derramei uma lágrima, o que me desapontou e irritou. Escolher um tema desses e não conseguir que o espectador chore é fracasso. Temos direito à catarse.)

O sucesso de Absolute Brightness of Leonard Pelkey vai popularizar ainda mais o nome de Lecesne nos Estados Unidos e no mundo. Ele já é uma firme referência quando se trata de discriminação e bullying de jovens. Quem vier por Nova York não deve perder esse espetáculo, que está no Dixon Place, no Soho. Não precisa nem ir à Broadway, o que é sempre uma chatice, além de caro demais. E se for editor brasileiro, tomara que aproveite para dar uma olhada em Trevor, o livro.

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