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Altamir Tojal

 

Altamir Tojal é escritor, mas não faz parte da lista de clientes VB&M. Seu texto “O PT ressuscitou a direita no Brasil” sai aqui porque o que ele escreve parece para mim, na maioria das vezes, como saído da minha cabeça. No caso desse texto específico, não só da minha, mas da Anna Luiza Cardoso também. Concordamos e aprovamos inteiramente.

Tojal foi meu colega de JB, depois abriu uma empresa de assessoria de mídia para executivos e me chamou para uns frilas. Eu fazia entrevistas de mentirinha como se os executivos estivessem falando para a televisão Ainda naqueles idos dos 80. Em 1987, fazia somente quatro anos que eu saíra da TV Globo. Era péssima até nas entrevistas de mentirinha.Nunca me entendi com a linguagem da televisão. Se nem na infância eu assistia à TV, como pude pensar que conseguiria trabalhar naquilo. Mas Tojal continuou me abrindo a oportunidade até eu seguir para Stanford, na Califórnia, com a fellowship John Knight, em 1988, que patrocina um ano sabático para jornalistas.

Em 2006, Tojal publicou um romance pela Garamond, FAZ QUE NÃO VÊ, e em 2010 o livro de contos OÁSIS AZUL DO MÉIER. Alberto Mussa diz que o romance é muito bonito.

Infelizmente, não publiquei esses livros quando estava na Record. Ainda mais porque Tojal é o tipo de pessoa que é bom ter por perto: pensa com clareza e brilho, é justo. Lembram-se quando se falava de uma “pessoa de caráter”? É ele. E os artigos que publica em seu blog “Este Mundo Possível” merecem uma grande audiência. Vejam esse.

Luciana Villas-Boas

O PT RESSUSCITOU A DIREITA NO BRASIL

O petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor. Tem sido recorrente nesta campanha eleitoral o apelo de partidários do PT à indulgência à corrupção no governo em nome de programas sociais e o repúdio às críticas à presidente Dilma em nome de seu passado na resistência à ditadura. Talvez algumas pessoas se surpreendam ao saber que participei da luta contra a ditadura, fui preso e torturado no DOI-CODI. Procuro ser discreto em relação a isso, embora não me envergonhe nem me arrependa de minhas posições e ações políticas. O fato de ter sido preso, torturado, vigiado e perseguido na ditadura não me torna melhor que ninguém nem me dá nenhuma autoridade. Mas essa experiência me ensinou que não se deve tratar adversários políticos como inimigos nem usar técnicas goebbelslianas contra opositores, repetindo milhões de vezes mentiras com o propósito de transformá-las em verdades. Pela mesma razão, considero vergonhoso o uso de slogans e discursos de justiça social para justificar o assalto ao estado e ao povo, das bilionárias transações na Petrobras aos desvios de dinheiro da merenda das crianças e do remédio dos hospitais. Seja qual for o resultado desta eleição, a indigência argumentativa do petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor. É o resultado da divisão da sociedade em “nós e eles”, da desmoralização da política, da mercenarização da militância, da domesticação do movimento social, da transformação da corrupção em política de governo, da demonização dos adversários e desse projeto de “Reich de mil anos”, entre tantas outras perversões e contrafações. Ainda vai ser feito um inventário do estrago que estes 12 anos de PT causou à democracia brasileira. Consertar isso vai ser uma tarefa para gerações. E ainda não conseguimos superar a herança da ditadura. Muitos petistas se aborreceram com isso e deixaram o partido, a exemplo de Marina Silva, Fernando Gabeira, Hélio Bicudo, Cristovam Buarque e Vladimir Palmeira. Os petistas remanescentes estão em companhia de Fernando Collor, José Sarney, Garotinho, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Katia Abreu, Eike Batista e Fernando Cavendish. Mesmo assim se consideram de esquerda e chamam os opositores de direitistas. Se refletissem um pouco, perceberiam que o PT perverteu a esquerda e ressuscitou a direita no Brasil.

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