outubro 2014

Cresci vendo meu sobrenome governar e aprendi em casa a pensar a política e seus valores a partir da perspectiva tucana. Mais tarde, na época em que cursei Direito, participei durante um ano e meio do PETJur, programa de pesquisa financiado pelo governo petista e coordenado e frequentado por professores e alunos mais petistas ainda. A pauta ali era o estudo da formação histórico constitucional do Brasil, e nesse período aprendi a valorizar o governo Lula, entender sua importância sócio política e a relevância de seu papel num quadro histórico absolutamente oligárquico. Agora, depois de quatro anos de governo Dilma, doze de PT no poder, não identifico oligarquia maior do que a instaurada por eles. Questiono se toda essa gente petista não tem receio do atentado à democracia que é a permanência no poder de um mesmo partido por 16 anos seguidos, principalmente num regime democrático tão jovem como o nosso. E digo isso não porque é o PT no poder; diria o mesmo fosse o PSDB ou qualquer outro partido que abocanhasse o mais alto cargo do país como se um trono fosse e o transformasse no lamaçal de mentiras, chantagens, roubos e corrupções que vemos hoje.

Até este momento, porém, apesar de minha revolta e resistência a tamanha afronta, tinha decidido me manter quieta, quase imparcial diante da guerra eleitoral que se instituiu nessas eleições. Não me meti e continuo não querendo me meter em nenhuma das acaloradas discussões entre petistas e psdbistas, em grande parte insufladas pelas campanhas sujas e mentirosas dos marqueteiros do poder. Que dificuldade para largar o osso, que indulgência para com a corrupção e a inversão de valores e princípios fundamentais. A ânsia grosseira e mentirosa com que o PT agarra o poder, a deslealdade com o país e a forma como usam qualquer tipo de arma para se manterem no controle do Estado me dão certo medo, admito. Temo por meus direitos, por minhas possibilidades de escolha, pela desmoralização da política e a domesticação dos movimentos sociais, como bem coloca Tojal no texto ali embaixo. Projeto de Reich de mil anos instalado no seio de uma suposta democracia.

Votarei em Aécio nestas eleições não por acreditar que ele seja o oposto de tudo o acima posto, pois infelizmente não tenho indícios para tal. Também não votarei nele por opção; ele não representa a mudança que desejo em nossa política. Votarei em nome da alternância de poder, em nome da lealdade e do respeito ao povo brasileiro. E aqui concordo inteiramente com Eduardo Moreira, autor da VBM com cujas ideias tendo a me identificar; apesar de não se sentir representado por nenhuma das duas partes opostas, ele desistiu de anular seu voto para não perder o direito de ser oposição. Assim também eu o farei.

Anna Luiza Cardoso

O voto de Eduardo Moreira: https://www.youtube.com/watch?v=ZCuu4SHpNgs

Texto de Altamir Tojal: http://www.vbmlitag.com.br/blog/?p=79

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Altamir Tojal

 

Altamir Tojal é escritor, mas não faz parte da lista de clientes VB&M. Seu texto “O PT ressuscitou a direita no Brasil” sai aqui porque o que ele escreve parece para mim, na maioria das vezes, como saído da minha cabeça. No caso desse texto específico, não só da minha, mas da Anna Luiza Cardoso também. Concordamos e aprovamos inteiramente.

Tojal foi meu colega de JB, depois abriu uma empresa de assessoria de mídia para executivos e me chamou para uns frilas. Eu fazia entrevistas de mentirinha como se os executivos estivessem falando para a televisão Ainda naqueles idos dos 80. Em 1987, fazia somente quatro anos que eu saíra da TV Globo. Era péssima até nas entrevistas de mentirinha.Nunca me entendi com a linguagem da televisão. Se nem na infância eu assistia à TV, como pude pensar que conseguiria trabalhar naquilo. Mas Tojal continuou me abrindo a oportunidade até eu seguir para Stanford, na Califórnia, com a fellowship John Knight, em 1988, que patrocina um ano sabático para jornalistas.

Em 2006, Tojal publicou um romance pela Garamond, FAZ QUE NÃO VÊ, e em 2010 o livro de contos OÁSIS AZUL DO MÉIER. Alberto Mussa diz que o romance é muito bonito.

Infelizmente, não publiquei esses livros quando estava na Record. Ainda mais porque Tojal é o tipo de pessoa que é bom ter por perto: pensa com clareza e brilho, é justo. Lembram-se quando se falava de uma “pessoa de caráter”? É ele. E os artigos que publica em seu blog “Este Mundo Possível” merecem uma grande audiência. Vejam esse.

Luciana Villas-Boas

O PT RESSUSCITOU A DIREITA NO BRASIL

O petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor. Tem sido recorrente nesta campanha eleitoral o apelo de partidários do PT à indulgência à corrupção no governo em nome de programas sociais e o repúdio às críticas à presidente Dilma em nome de seu passado na resistência à ditadura. Talvez algumas pessoas se surpreendam ao saber que participei da luta contra a ditadura, fui preso e torturado no DOI-CODI. Procuro ser discreto em relação a isso, embora não me envergonhe nem me arrependa de minhas posições e ações políticas. O fato de ter sido preso, torturado, vigiado e perseguido na ditadura não me torna melhor que ninguém nem me dá nenhuma autoridade. Mas essa experiência me ensinou que não se deve tratar adversários políticos como inimigos nem usar técnicas goebbelslianas contra opositores, repetindo milhões de vezes mentiras com o propósito de transformá-las em verdades. Pela mesma razão, considero vergonhoso o uso de slogans e discursos de justiça social para justificar o assalto ao estado e ao povo, das bilionárias transações na Petrobras aos desvios de dinheiro da merenda das crianças e do remédio dos hospitais. Seja qual for o resultado desta eleição, a indigência argumentativa do petismo remanescente deixa um grande saldo de mistificação e rancor. É o resultado da divisão da sociedade em “nós e eles”, da desmoralização da política, da mercenarização da militância, da domesticação do movimento social, da transformação da corrupção em política de governo, da demonização dos adversários e desse projeto de “Reich de mil anos”, entre tantas outras perversões e contrafações. Ainda vai ser feito um inventário do estrago que estes 12 anos de PT causou à democracia brasileira. Consertar isso vai ser uma tarefa para gerações. E ainda não conseguimos superar a herança da ditadura. Muitos petistas se aborreceram com isso e deixaram o partido, a exemplo de Marina Silva, Fernando Gabeira, Hélio Bicudo, Cristovam Buarque e Vladimir Palmeira. Os petistas remanescentes estão em companhia de Fernando Collor, José Sarney, Garotinho, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Katia Abreu, Eike Batista e Fernando Cavendish. Mesmo assim se consideram de esquerda e chamam os opositores de direitistas. Se refletissem um pouco, perceberiam que o PT perverteu a esquerda e ressuscitou a direita no Brasil.

Olá! Com muito prazer compartilhamos, com exclusividade, as duas primeiras capas estrangeiras de DIAS PERFEITOS, de Raphael Montes.

Na Espanha, o livro sairá pela Penguin Random House (Spain):

dias-perfectos

E na França, pela Editions Les Deux Terres:

dias perfeitos franca

Uma ótima semana a todos!